news OUTUBRO.09
 Notas

Com abertura dia 8 de outubro, das 20 às 22 horas, até 6 de novembro, no Museu Regional de Arte (Rua Conselheiro Franco 66, Feira de Santana), a Paulo Darzé Galeria de Arte, em conjunto com a Universidade Estadual de Feira de Santana, Centro Universitário de Cultura e Arte (Cuca), apresentam a mostra do artista plástico Florival Oliveira. Nascido e morando em Riachão do Jacuípe, Estado da Bahia, Florival realiza uma arte que busca incessantemente uma precisão técnica por meio de uma pesquisa incisiva e paciente, através de uma linguagem contemporânea de tratar a matéria, mostrando saberes e fazeres de sua gente, o que faz tornar-se um tradutor do sentimento de universalidade do mundo que vive na sua aldeia, portas do sertão baiano. Com uma obra iniciada em 1976, exposições individuais e coletivas no Brasil, seus trabalhos estão hoje nos acervos do Museu de Arte Moderna da Bahia; Museu de Arte Contemporânea de Feira de Santana; Associação Cultural Brasil-Estados Unidos, ACBEU/Salvador; Biblioteca da Universidade da Bahia; Museu Regional de Feira de Santana, tendo ganho os seguintes prêmios: Mambembão, 1978 - Teatro Livre da Bahia - Oxente Gente Cordel; Martins Gonçalves, 1978 - Teatro Livre da Bahia - Gracias a la Vida; FUNARTE- Xilogravura, 1980 - V Salão Nacional Universitário, Salvador/Ba; Animathon,1986, Filme de animação "Garrancho"Office nacional du film du Canadá - UFBA.

• A Paulo Darzé Galeria de Arte (Rua Chrysippo de Aguiar, 08, Corredor da Vitória, CEP 40081.310 – Salvador – Bahia – Brasil, Tel.: (71) 3267.0930 Cel.: (71) 9918.6205 – www.paulodarzegaleria.com.br – paulodarze@terra.com.br), está aberta a visitação pública de segunda a sexta, das 9 às 19 horas, e sábados das 9 às 13 horas.

reportagem Thomaz Ianelli
 

Com abertura dia 22 de setembro, e temporada até 17 de outubro, a Paulo Darzé Galeria de Arte apresenta neste início de primavera a exposição de Thomaz Ianelli, onde o público baiano poderá ver um artista que no dizer de Theon Spanudi “criou um novo mundo de expressividade pictórica. E quais são as características deste seu mundo? Antes de tudo, a leveza, a fluidez, a nebulosidade amorfa. Uma maciez dos coloridos fluidos, um lirismo que raramente tem elementos de uma leve dramaticidade, um flutuar, um levitar perpétuo. Amplos espaços se diluem além das fronteiras dos quadros”, tendo a oportunidade de ver, rever ou conhecer uma arte lúdica e lírica de um excepcional colorista, sensibilidade e razão, que a partir da cor determinou harmonias, ritmos, volumes, moldou espaços, submeteu as formas.

Pintor, Thomas Ianelli dedicou-se também ao desenho, à gravura, e esculturas (assemblages), trazendo a tona na arte brasileira uma expressividade pictórica, original por sua sofisticação e invenção criativa, transitando do figurativo a abstração informal, numa obra fluente, lírica, de grande colorido.

Com esta mostra a Paulo Darzé Galeria de Arte, que pela primeira vez apresenta na Bahia uma exposição individual de Thomaz Ianelli, mais acertado seria dizer, um pequeno legado de sua produção artística, que é extensa, nos oferecendo um artista que no dizer de Ferreira Gullar no texto 'A pintura pintura de Thomaz Ianelli', diz:

“Uma linguagem sem compromisso a não ser com a sua integridade de pintura. Na dialética da linguagem e da realidade - contradição dinâmica e permanente na arte de Thomaz Ianelli -, atingiu ele aquele ponto de equilíbrio em que a linguagem é suficientemente consistente para ter autonomia e suficientemente permeável para não se enrijecer e estereotipar-se. Após o mergulho no universo distante dos signos e formas arcaizantes, voltou às paisagens e aos temas externos, dando provas de sua capacidade de transmudar qualquer coisa em fala pictórica. Conforme os temas, as cores são aí também da superfície e a composição se inspira na ordem natural reestruturada: a bidimensionalidade volta a ser ambígua ainda que predominante. Mas aos poucos, outra vez a linguagem se interioriza, as cores e a fatura tornam-se meios reveladores de uma dimensão outra, tocada de nostalgia e mistério, como nos trabalhos de 1980 e seguintes. O pintor mergulha outra vez no mundo remoto das formas-signos, sem referência direta ao mundo exterior. Só que agora - como é o caso de suas obras mais recentes - esse universo enigmático já nada tem do universo kleeniano e é menos a subjetividade do pintor do que a revelação dos subterrâneos de sua própria linguagem pictórica. Como se ele nos quisesse mostrar o seu avesso”.

Em Ianelli temos uma arte que busca na cor a sua linguagem, mesmo que as figuras não desapareçam neste universo lírico, criando um novo mundo de expressividade pictórica, e como vem a afirmar Paulo Herkenhoff - “um mundo de manchas, pinceladas, imprecisões, onde emergem figuras, como um exército poético de crianças, bailarinas, animais, e brinquedos que estrutura o espaço. O olhar é estimulado à busca das imagens, como exercício de conjecturas e jogo de descobertas lúdicas”.

Olívio Tavares de Araújo disse ao escrever sobre Ianelli: “Antes de tudo, sua obra me traz encantamento. Digamos que seja um arrebatamento inesperado e suave, não passional nem possessivo, mas inquestionavelmente afetivo, envolvente, convidativo, banhado numa beleza generosa. Passa próximo do êxtase, mas não tem a gravidade deste; é bem mais amigável e sorridente. Ao mesmo tempo, se olhada mais intelectual e desapaixonadamente, essa pintura me trará sempre uma espécie de prazer cívico por sua inteireza ética e estética, por seu índice elevado de acerto, pela galhardia com que enfrenta e resolve seus problemas enquanto arte, ainda mais dentro de um segmento que tantas vezes foi voluntariosamente declarado extinto. Pois não é verdade que de tempos em tempos se proclama que a pintura morreu?”.


Biografia
Thomaz Ianelli
Thomaz Ianelli nasceu em São Paulo, em 1932. Faleceu na mesma cidade em 2001. Integrou o Grupo Guanabara, criado em 1958. Sua primeira exposição individual, em 1960, ganhou o Prêmio de Aquisição. Participou das Bienais de São Paulo (1961, 1965, 1967, 1975 e 1984); de Paris (1963); México (1982); de Taiwan/China (1987); Óbidos/Portugal (1990); da Trienal de Gravura de Buenos Aires (1979); do Salão Nacional de Arte Moderna no Rio de Janeiro, e de mais de 50 mostras coletivas de arte brasileira e latino-americana no Brasil, Europa, Ásia e América Latina. Entre 1960 e 2000 realizou cerca de meia centena de exposições individuais em museus e galerias de arte do Brasil, Peru, Argentina, Estados Unidos, Espanha, Portugal, França, Itália. Suas obras integram os acervos de museus de arte moderna e contemporânea de São Paulo, Rio de Janeiro, Skopie/Iugoslávia, Madri e Tóquio. Em 1961 recebeu o Prêmio Velásquez de Viagem à Espanha; em 1967e 1975, ganha o Prêmio Itamaraty, Aquisição, na IX e XIII Bienal de São Paulo; em 1992, Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) de melhor individual do ano.
Crítica
Angélica de Moraes
Thomaz Ianelli (1932-2001) é um dos pintores brasileiros que melhor soube usar a cor, daí ser chamado de colorista. Esse talento ganhou impulso definitivo a partir da metade dos anos 1980, quando intensificou a realização de aquarelas ao ar livre. A técnica da aquarela exige rapidez de percepção e uso certeiro de tonalidades suaves, obtidas com pigmentos diluídos em água. O papel não aceita retoques. A luz dessas obras vem do branco do papel, ou seja, do fundo da composição. O exercício da aquarela ofereceu lições de pintura que Thomaz transportou para as telas. Embora a tinta seja outra, o artista soube aproximá-la das propriedades da aquarela. Extraiu o óleo (para eliminar o brilho) e tornou-a muito líquida pela adição de terebintina. Acrescentou um pouco de cera para encorpar o pigmento sem dar-lhe muita espessura. Assim, essa tinta-quase-aquarela oferece transparência. Dá passagem à luz, que vem do fundo do quadro através das estrias deixadas pelo pincel.

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Criação: P55 Comunicação

Consultoria: Claudius Portugal