Mario Cravo Neto

Mario Cravo Neto nasceu em 20 de abril de 1947, em Salvador, Bahia, onde hoje vive e trabalha. Criado no ambiente artístico de sua cidade natal inicia suas primeiras experiências em escultura e fotografia aos 17 anos de idade. Nessa época, seu pai, o escultor Mario Cravo Júnior, é convidado a participar do programa Artists in Residence, patrocinado pela Ford Foundation e pelo Senado de Berlim Ocidental, e viaja para a Alemanha com toda a família. É em Berlim que, além de dedicar a maior parte de seu tempo ao trabalho criativo, experimenta o contato com artistas e intelectuais vindos de outras partes do mundo. Soma-se a isto, as viagens à Espanha e à Itália, empreendidas por sua família para visitar lugares e museus, e a relação direta com o artista Emilio Vedova e o fotógrafo Max Jakob, também residentes em Berlim, onde alarga os seus horizontes artísticos. Retorna ao Brasil em 1965 e finaliza seus estudos secundários. Em 1968, muda-se para Nova York para estudar na Art Student League sob a orientação do artista plástico Jack Krueger, um dos precursores da arte conceitual nos Estados Unidos. Esse período, dois anos, foi de fundamental importância para o delineamento de sua vida futura como homem e artista. São dessa época as séries de fotografias em cores intituladas On the Subway, publicadas pela primeira vez na revista Camera 35, e as fotografias em preto e branco sobre o aspecto da solidão humana na grande metrópole. Em seu estúdio no Soho desenvolve paralelamente à fotografia, esculturas em acrílico baseadas no processo do terrarium, que envolve o crescimento de plantas vivas em ambientes fechados. De volta ao Brasil em 1970, vítima de esgotamento nervoso, vem a exibir pela primeira vez na XII Bienal Internacional de São Paulo a instalação das esculturas vivas criadas em Nova York, realizando em seguida várias mostras individuais e em grupo, no Brasil e no exterior. Em razão de um acidente automobilístico em 31 de março de 1975, interrompe sua atividade profissional e é forçado a permanecer na cama com ambas as pernas quebradas. Depois de um ano de convalescença, impedido de dar continuidade as suas pesquisas tridimensionais anteriores, direciona sua atenção para a fotografia conceitual e de estúdio, começando a utilizar em seu trabalho a fotografia em seqüência com elementos da natureza, pessoas e objetos do cotidiano. O trabalho que o artista vem hoje mostrando no Brasil e no exterior é a continuidade dessa fase, tendo nos último anos realizado individuais na galeria Fernando Pradilla, Madrid, no Dahlen Ethnologisches Museum, Berlim, e participado da VI Bienalle de Art Contemporain, em Dakar, Senegal. Fora seu trabalho fotográfico em preto e branco de estúdio, editou dois livros: o primeiro de fotografias em cores datadas de 1974 a 2000, Salvador, com 180 fotos em cores de página inteira e textos de Jorge Amado, Padre Antônio Vieira, Wilson Rocha e Caetano Veloso; o outro, Laróyè, com 140 fotografias em cores e texto de Edward Leffingwell, lançados em 1999 e 2000. Publica The Eternal Now (2002), a mais completa monografia da obra em preto e branco, com 136 fotografias e texto de Edward Leffingwell, e Na Terra sob Meus Pés (2003), com 55 imagens digitais, em cores e em preto e branco, texto de Ligia Canongia, e direciona o trabalho a uma perspectiva ainda mais abrangente. Trance-Territories (2004) contém 88 fotografias realizadas no Axé Opó Aganju, com textos de Ildásio Tavares e do autor. O Tigre do Dahomey_A Serpente de Whydah (2004) traz 59 fotografias sobre a temática mencionada, com textos de Mario Cravo Júnior, escultor e pai do fotógrafo, Ildásio Tavares, poeta e Otun Oba Aré do Axé Opô Afonjá, e do próprio autor.



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