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• A Universidade Estadual de Feira de Santana, o Centro Universitário de Cultura e Arte, o Museu Regional de Arte, em parceria com a Paulo Darzé Galeria de Arte apresenta exposição de desenhos, pinturas, objetos e esculturas de Maxim Malhado, obra que utiliza como formas de expressão as raízes no interior da Bahia, abarcando temáticas onde a sexualidade, a religião, a cultura, a vida social, através de um grafismo que busca a redescoberta de espaços, de reinvenção de formas, até dia 29 de maio, no Museu Regional de Arte, em Feira de Santana.
• Com inauguração no dia 29 de maio, dando continuidade ao seu calendário de mostras 2009, a Paulo Darzé Galeria de Arte apresenta pela primeira vez na Bahia uma exposição de Carlos Vergara, artista integrante da vanguarda no Brasil dos anos 60 e 70 (mostra Opinião 65; Nova objetividade Brasileira), tendo participado de quatro edições da Bienal de São Paulo [1963, 1967 (Prêmio de Aquisição), 1969 (ano em que participa também da Bienal de Medellín) e 89], e em 1980 representando o Brasil na Bienal de Veneza.
• A Paulo Darzé Galeria de Arte (Rua Chrysippo de Aguiar, 08, Corredor da Vitória, CEP 40081.310 - Salvador - Bahia – Brasil, Tel.: (71) 3267.0930, Cel.: (71) 9918.6205. www.paulodarzegaleria.com.br; paulodarze @terra.com.br) está aberta para visitação de segunda a sexta, das 9 às 19 horas, e sábados das 9 às 13 horas.
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Nas edições anteriores foram trabalhos de Pierre Verger, Mario Cravo Neto, Mestre Didi, Farnese de Andrade. Agora é Rubem Valentim. Pela quinta vez consecutiva a Paulo Darzé Galeria de Arte estará presente na Feira Internacional de Arte, SPARTE, que começa dia 14 de maio, no Estande 35, Pavilhão da Bienal, Parque do Ibirapuera, São Paulo.
Escultor, pintor, gravador, professor, Rubem Valentim é criador de uma das obras mais importantes da arte brasileira, sendo pioneiro no que se denomina arte semiótica, com uma obra inovadora, que no dizer do crítico Frederico Morais "Valentim chegou em certos momentos de sua arte à pureza do design, porém na correta interpretação que Lúcio Costa deu ao termo: riscadura brasileira. Um design caboclo, brasileiro, latino-americano. (...) Enfim, o que ele quis foi projetar/desenhar um Brasil que não se envergonhasse de sua cor, de seu caráter mestiço e mulato, da generosidade e ludicidade de seu povo, de sua capacidade de arriscar aquilo que é seu, seu próprio destino".
Nascido na cidade do Salvador, Estado da Bahia, num sobrado com sacadas de ferro, à Rua Maciel de Baixo 17, Distrito da Sé, em 1922, filho de pais pobres, sendo o primeiro de seis filhos. Formou-se em Odontologia, área que abandonou para dedicar-se à pintura em 1948. Em 1957 transfere-se para o Rio de Janeiro. Em 1962 conquista o Prêmio de Viagem à Europa no Salão Nacional de Arte Moderna e Pequena Medalha de Ouro no Salão Paulista de Arte Moderna. Viaja para a Europa: Inglaterra, França, Holanda, Bélgica, Alemanha, Áustria, Espanha, Portugal e Itália. Reside em Roma de 1964 a 1966, quando voltou para o Brasil. Participa da Bienal de Veneza e diversas vezes da Bienal de São Paulo (de 1955 a 1998, recebendo Prêmio de Aquisição em 1967 e 1973, e Sala Especial em 1998). Em 1994, o Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, em 2001 a Pinacoteca do Estado de São Paulo, e em 2002 o Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro montaram grandes retrospectivas de sua obra. Em 1998, no Parque de Esculturas, o Museu de Arte da Moderna da Bahia — MAM/BA inaugurou uma Sala Especial sobre o seu trabalho. Rubem Valentim faleceu no dia 30 de novembro de 1991, na cidade de São Paulo.
Participando com Rubem Valentim da SPARTE, a Paulo Darzé Galeria de Arte apresenta um dos artistas brasileiros que na sua temática possui como diz o crítico italiano Giulio Carlo Argan “signos deduzidos da simbologia mágica que se transmite com as tradições populares dos negros da Bahia. A evocação destes signos simbólicos-mágicos não tem, entretanto, nada de folclorístico, o que se vê dos sucessivos estados através dos quais passam antes de se constituírem como imagens pictóricas... O artista os elabora até que a obscuridade ameaçadora do fetiche se esclareça na límpida forma de mito. Decompõem-os e os geometriza, arranca-os da originária semente iconográfica; depois os reorganiza segundo simetrias rigorosas, os reduz à essencialidade de uma geometria primária, feita de verticais, horizontais, triângulos, círculos, quadrados, retângulos; enfim, torna-os macroscopicamente manifestos com acuradas, profundas zonas colorísticas, entre as quais procura precisas relações métricas, proporcionais, difíceis equivalências entre signos e fundo”.
A exposição de Rubem Valentim pela Paulo Darzé Galeria de Arte na SPARTE está aberta ao público do dia 14 a 17 de Maio — quinta e sexta das 14 às 22h, sábado e domingo das 12 às 20h —, no Estande 35, Pavilhão da Bienal, Parque do Ibirapuera, Portão 3.
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| Crítica |
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Wagner Barja (setembro 1992)
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A Bahia deu mais que régua e compasso a Rubem Valentim. Foi uma constante fonte de inspiração para esse artista, que ofereceu ao mundo um ebó cósmico, com um cardápio de imagens de inesgotável ineditismo descolonizador da cultura brasileira.
Dono de um repertório inesgotável, face à vertente de onde bebeu o néctar de suas invenções, esse mago dos símbolos criou um alfabeto de escrever sonhos, transformou parte do projeto concreto em algo transcendente, ancestral e metafísico, abrindo, assim, uma das portas de saída para a segunda modernidade no Brasil.
Revolucionário em seu fazer, Valentim trouxe para o território do “real” o que antes pertencera à limitada realidade da retina, gerou onda de calor para esquentar o que antes fora uma experiência geométrica estetizante, estritamente formal e distante da emoção. Sem pudores cristãos, instalou a imagética do candomblé nos meios eruditos. Sua vontade construtiva transformou as imagens em oráculos, articulados e consagrados na sua crença ético/estética, pois Valentim ungiu a religião em verdade e essência e em real sentido: o da religação!
No construtivismo, a vertente concreta apresenta-se como uma tendência hegemônica da racionalidade positivista e estritamente científica. A Arte de Valentim tangencia essa exatidão cartesiana, entretanto algo sensível, enigmático e supra-inteligente pulsa nessa vertigem criadora, direcionada ao mítico e atávico mundo elemental dos seres e civilizações de origem africana.
Valentim é inimitável e produziu uma obra de autoria aguda e rigorosa. Foi um ordenador por excelência, ao transformar o universo místico do folclore afro-brasileiro, muitas vezes agenciado pelas superstições, em bases de conhecimento erudito para uma cultura africanocêntrica.
Obstinado na radicalização de seu projeto, fulminou a fronteira que separa o popular da alta cultura, passou a anos-luz da crise da arte instalada no século XX e iluminou o caminho não finito para a descoberta do novo.
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