Identidade Visual Paulo Darze

    Artista integrante da Paulo Darzé Galeria, Fábio Magalhães, inaugura dia 29 de julho, às 11 horas, na Caixa Cultural São Paulo a exposição Além do Visível, Aquém do Intangível, que reúne a produção artística mais significativa, desenvolvida entre 2007 e 2017,numa mostra composta por 25 trabalhos em óleo sobre tela e grandes formatos, distribuídos em cinco séries - O Grande Corpo, Retratos Íntimos, Superfícies do Intangível, Latências Atrozes e Limites do Introspecto,  com curadoria de Alexandra Muñoz.

    As obras de Fábio Magalhães surgem de metáforas criadas a partir de pulsões, das condições psíquicas e substratos de um imaginário pessoal, até chegar a um estado de imagem/corpo. Os resultados são obtidos por meio de artifícios que nascem de um modus operandi que parte de um ato fotográfico e materializa-se em pintura. O artista apresenta encenações meticulosamente planejadas, capazes de borrar os limites da percepção, configuradas em distorções da realidade e contornos perturbadores, considerando a curadora que Fábio Magalhães que o artista é “coevo de uma jovem geração brasileira de pintura, vigorosa e visceral, que exprime uma capacidade do suporte além da sua materialidade fibrosa e que, em geral, concebe o próprio objeto artístico da pintura como realidade espacial incomensurável, por vezes uma pintura instalativa potente que repropõe o lugar onde se mostra. É uma geração de artistas que reposiciona a pintura figurativa, por vezes beirando a iconoclastia dos gêneros tradicionais do retrato, da natureza morta e da paisagem. Instrumentada pelo virtuosismo técnico, é uma pintura que desmonta o factual e o anedótico para revelar aspectos incômodos do cotidiano, tabus e universos psíquicos que, frequentemente, operam como um vórtice sobre o observador”.

    Patrocinada pela Caixa Econômica Federal, Fábio Magalhães realiza sua pintura marcadamente por distorções da realidade, em metáforas visuais, o que para o crítico Jorge Coli, “fascinam. Seu fascínio repousa sobre um prodígio do artifício. É aqui, do artifício que brota o mistério. Grandes telas, executadas com uma atenção rara e sustentada, oferecem aos olhos. À sugestão tátil, uma superfície perfeitamente lisa. A dúvida impõe-se então, imediatamente. Trata-se de fotografia ou pintura? O espanto cresce quando a pintura se confirma, pintura a óleo, a mais rigorosa que se pode imaginar”.

    O evento de abertura conta com lançamento de um livro que reúne obras do artista, produzidas ao longo de 10 anos e textos críticos de Jorge Coli, Marcelo Campos e Alejandra Muñoz. Neste dia haverá uma visita guiada pelo próprio Magalhães, seguida pela mesa redonda As Matrizes Tradicionais da Arte e a Pintura Contemporânea com participação da curadora e do crítico de arte Jorge Coli. A mostra está aberta ao público até 24 de setembro, com visitação de terça a domingo, das 9h às 19h. A CAIXA Cultural São Paulo está localizada na Praça da Sé, 111 – Centro. São Paulo. Metrô Sé.  Telefone: (11) 3321-4400 Site: http://www.caixacultural.com.br. As obras de Fábio Magalhães são comercializadas pela Paulo Darzé Galeria.

    Fábio Magalhães nasceu em Tanque Novo, Bahia, em 1982. Vive e trabalha em Salvador. Ao longo da carreira, realizou exposições individuais – a primeira em 2008, na Galeria de Arte da Aliança Francesa, em Salvador. Na sequência, Jogos de Significados (2009), na Galeria do Conselho, O Grande Corpo (2011), Prêmio Matilde Mattos/FUNCEB, na Galeria do Conselho, ambas em Salvador; e Retratos Íntimos (2013), na Galeria Laura Marsiaj, no Rio de Janeiro. Foi selecionado para o projeto Rumos Itaú Cultural 2011/2013. Entre as mostras coletivas estão: Convite à Viagem – Rumos Artes Visuais, com curadoria do Agnaldo Farias, no Itaú Cultural, em São Paulo; O Fio do Abismo – Rumos Artes Visuais, com curadoria de Gabriela Motta, em Belém/PA; Territórios, com curadoria do Bitu Cassundé, na Sala Funarte, em Recife/PE; Espelho Refletido, com curadoria do Marcus Lontra, no Centro Cultural Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro/RJ; Paraconsistente, com curadoria de Alejandra Muñoz, no ICBA, em Salvador/BA; 60º Salão de Abril, em Fortaleza/CE; 63º Salão Paranaense, em Curitiba/PR; XV Salão da Bahia, em Salvador; e I Bienal do Triângulo, em Uberlândia/MG, entre outras. Entre os prêmios que recebeu destaque para Prêmio FUNARTE Arte Contemporânea – Sala Nordeste; Prêmio Aquisição e Prêmio Júri Popular no I Salão Semear de Arte Contemporânea em Aracaju/SE; Prêmio Fundação Cultural do Estado, em Vitória da Conquista/BA, e Menção Especial em Jequié/BA.

    Além do visível, aquém do intangível por Alejandra Muñoz

     

    O mundo, nossa percepção e a realidade são sempre mais complexos e intrincados do que parecem, sobretudo no campo das imagens e sua propensão a afinidades aleatórias, recorrências ocultas e ecos involuntários. A pintura de Fábio Magalhães se constitui nesse lugar inquietante entre o visível, reconhecível e familiar e o inefável e intangível.

     

    Suas obras abordam temas autorreferenciais que associam metaforicamente imagens do próprio corpo, sentimentos, estados psíquicos e situações banais, buscando ressaltar condições inconcebíveis de serem retratadas senão por meio de artifícios e distorções da realidade. Seu processo técnico de concepção visual envolve recursos de performance, cenografia, fotografia e desenho. Mas é na pintura, na fartura das camadas e veladuras, onde emergem contornos de uma realidade instigante, às vezes hermética, mas sempre perturbadora. Em muitos casos, o trocadilho visual com alguns ditos populares oculta cargas subjetivas que vão além da aparência do objeto retratado.

     

    Fábio Magalhães é coevo de uma jovem geração brasileira de pintura, vigorosa e visceral, que exprime uma capacidade do suporte além da sua materialidade fibrosa e que, em geral, concebe o próprio objeto artístico da pintura como realidade espacial incomensurável, por vezes uma pintura instalativa potente que repropõe o lugar onde se mostra. É uma geração de artistas que reposiciona a pintura figurativa, por vezes beirando a iconoclastia dos gêneros tradicionais do retrato, da natureza morta e da paisagem. Instrumentada pelo virtuosismo técnico, é uma pintura que desmonta o factual e o anedótico para revelar aspectos incômodos do cotidiano, tabus e universos psíquicos que, frequentemente, operam como um vórtice sobre o observador.

     

    O processo e as imagens de Fábio Magalhães distendem a relação histórica do artista e seu modelo e, sincronicamente, transgridem o retrato como gênero pictórico. Enquanto o artista anula a presença física de um outro no ateliê para a construção do tema, introduz uma noção de alteridade dele próprio. A introspecção e intimidade profunda do artista consigo mesmo, num exercício performático para a definição da imagem, é a subversão do autorretrato tradicional. Uma pintura que tem um caráter quase adversativo, isto é, uma pintura que parece opor-se a si mesma, num exercício de referências conjugadas no processo cujo resultado é uma pintura que vai além da imagem que contém e fica aquém da intangibilidade do gesto do pintor.

     

    Carne e vísceras, pele e corpo, ser. A gramática básica daquilo que somos. Vida e morte: o denominador comum da existência humana. Esses são os elementos constitutivos das séries que aqui se apresentam. O tempo linear comum, aquele regido pela circularidade das estações, das efemérides e das rotinas, é aniquilado. O instante de uma ação incerta, que parece congelado ante nossos olhos, se expande quase infinito na dimensão sem horizonte do branco imaculado da tela. Fábio Magalhães se aproxima de uma temporalidade perpétua onde não há lugar para o circunstancial, para a omnipresença cotidiana das coisas esquecíveis. É a construção de uma presença reticente do essencial invisível.

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