Identidade Visual Paulo Darze
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    Entrevista

    Waltercio Caldas

    Waltercio Caldas nasceu no Rio de Janeiro, em 1946, e nos anos 60 começa a expor. Em sua trajetória fez individuais em alguns dos mais conceituados museus e galerias do mundo e participou de eventos como a Bienal de Veneza, Itália, e a Documenta de Kassel, Alemanha, tendo obra, entre outros, no acervo do Museu de Arte Moderna de Nova York. A diversidade de meios com que trabalha e seu absoluto domínio sobre os materiais nos faz pressentir a passagem de uma matéria para a outra, as relações entre pesos, densidades e transparências, e uma obra que se constitui um eterno processo, um fluxo constante que interliga a presença e a ausência, o sólido e o ar, o pleno e o vazio. Experimentação e questionamento, o fluir entre as coisas, a ocupação do espaço, a linha e o ar, um desenho do espaço induzindo o espectador a lembrança da figura, e utilizando uma diversidade de materiais, oferendo a todos um sentido ou as possibilidades do olhar, num convite a imaginação, é que fazem a obra de Waltercio Caldas ser considerada pela crítica internacional como uma das mais importantes na arte contemporânea internacional.

    Experimentação e questionamento, o fluir entre as coisas, a ocupação do espaço, a linha e o ar, um desenho do espaço induzindo o espectador à lembrança da figura, e utilizando uma diversidade de materiais, oferendo a todos um sentido ou as possibilidades do olhar, num convite a imaginação tornam a obra de Waltercio Caldas estar incluída pela crítica internacional como uma das mais importantes na arte contemporânea internacional.

    O via e-mail traz  uma pequena conversa este artista, que na sua trajetória, iniciada nos anos 60, realizou individuais em alguns dos mais conceituados museus e galerias do mundo e participou de eventos como a Bienal de Veneza, Itália, e a Documenta de Kassel, Alemanha, tendo obra, entre outros, no acervo do Museu de Arte Moderna de Nova York.

    A Paulo Darzé Galeria de Arte estará expondo seus novos trabalhos, com abertura no dia 26 de julho, das 19h as 22h, e temporada até 31 de agosto, de segunda a sexta das 9h as 19h e sábado de 9h as 13h.

    1)      Experimentação e questionamento.  Sua obra é sempre descrita, entre outras definições, como tendo estas duas vertentes. Pode nos falar o que acha ou como se sente com estas palavras abordando sua trajetória?
    Estas duas palavras sempre  estão relacionadas a qualquer um  que  tenha uma visão crítica de seu tempo, os artistas, na maioria das vezes, trabalham simultaneamente com o que conhecem  e  o  que  desconhecem  e na prática isto resulta  em comportamentos  que   questionam  os  limites da realidade.

    2)      Outro ponto que ressalta em seus trabalhos é a possibilidade do olhar, a descoberta do olhar, um sentido ou uma sensação que o olhar nos remete. O vazio, sendo uma estrutura de sua obra, realiza a ocupação do espaço, e nos induz a lembrança da figura. Como é este seu processo entre a linha e o ar, o desenhar do espaço?
    Quando vemos um objeto de arte é como se este nos surgisse pela primeira vez,  inaugurando  uma presença atual que o justifica. É a autonomia deste aparecimento que procuro enfatizar nas esculturas e nos desenhos;  essa  atividade  por  imagens  se confunde com o que quero dizer:  vazio e cheio, linha e espaço,  presença e ausência estariam  assim estruturalmente  dependentes uns dos outros.

    3)      É referida por críticos que sua obra possui uma revisitação a história da arte como um dos elementos formadores do trabalho. O passado serve como informação, diálogo, ou como fonte para o futuro?
    Não chamo de revisitação, pois este diálogo nunca deixou de existir entre as obras de arte;  apenas  considero  que  não devemos  negligenciar   rupturas e conquistas que  permitiram aos artistas  seguir adiante.   Obras bem sucedidas, não importando a época em que foram realizadas,  estarão sempre conosco, serão sempre contemporâneas. Trato a história da arte como  uma  matéria a mais a  ser tratada e disponível para o pensamento.

    4)      Vivemos num mundo exacerbado de imagens.  Você sendo um artista visual induz à imagem pelo corte no espaço. É uma atitude que vai de encontro a esta atualidade, o de exibir a imagem. A linha sendo o seu limite, isto é, você projeta a imagem, mas não a realiza, deixando ao espectador que cada olhar a descubra. Sua obra, assim, é um convite à imaginação? Um não ao explícito da imagem?
    É um fato intrigante que  esta proliferação de  imagens  não leve  necessariamente ao  interesse  sobre a complexidade de seus múltiplos usos , e  hoje  parece que  apenas nos consumimos  nesta vertigem de aparências. A arte teria então  muito a contribuir  nesta direção   propondo  novos e reveladores sentidos para as imagens e  os objetos e  também  para  a  própria  ideia  do que seja a  invenção de espaços   imaginários .

    5)  A luz. Há na obra utilização de espelhos, vidros, superfícies altamente polidas. Qual a importância da presença da luz para que realmente se efetive a sua obra?
    Sou  um artista voltado para as características tridimensionais dos objetos: peso, gravidade, formas, cores,  transparências, etc.  Neste sentido espelhos são objetos especiais, “ máquinas miméticas luminosas ¨ que nos dão uma versão diferenciada, e porque não dizer crítica,  de nossas expectativas. Há portanto  algo de  semelhante  entre  o funcionamento dos espelhos e os objetos de arte.

    6)      A arte contemporânea.  Como se vê sendo um dos mais importantes artistas que temos hoje na arte internacional? Há na obra um diálogo conceitual com o que está sendo feito?
    Creio que a presença cada vez maior de  artistas brasileiros em eventos internacionais  deveria nos trazer  mais estímulos e mais responsabilidades.  O diálogo cada vez mais complexo e tenso  entre o que chamamos  de  cultura e a  arte pode  e deve  aprimorar  a identidade do país.

    7)      Já que comecei com definições sobre sua obra, termino também com elas. Seu trabalho é sensação e reflexão?
    Sim, e acrescentaria que hoje me move a certeza de que, através da arte, é possível  até mesmo  melhorar  a  qualidade do desconhecido.

    8)      Para finalizar, a Bahia. Sua relação e sua obra entre e com os baianos, já que a temos publicamente no Parque de Esculturas do Museu de Arte Moderna.
    Tenho  especial carinho por Salvador que tive a oportunidade de visitar inúmeras vezes  mas lamento dizer que a obra  presente nos jardins do Museu há muito não me  representa  nem ao meu trabalho  pois foi desfigurada, desmembrada  e localizada segundo critérios absolutamente  divergentes  do projeto original. Espero que o público baiano  algum dia tenha uma nova  oportunidade de  apreciar a  obra tal  como a concebi  inicialmente.

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