news AGOSTO.09
 Notas

O artista plástico Carlos Araujo expõe até 29 de agosto, na Paulo Darzé Galeria de Arte, 20 painéis realizados em óleo sobre tela colados em madeira, com dimensões variadas, da série “Bíblia - citações ”, criados para o livro com mesmo título, lançados internacionalmente na Bienal Internacional de Florença, onde obteve a Medalha de Bronze – Lorenzo Il Magnifico, e na exposição individual que realizou, em 2009, na Basilica Piazzale San Paolo, em Roma, Itália.

A Paulo Darzé Galeria de Arte está aberta para visitação de segundo a sexta das 10 às 20 horas e aos sábados das 10 as 13 horas. O endereço é Rua Chrysippo de Aguiar, 8, Corredor da Vitória, CEP 40081.310 - Salvador - Bahia – Brasil, Tel.: (71) 3267.0930 Cel.: (71) 9918.6205 - www.paulodarzegaleria.com.br - email: paulodarze@terra.com.br

exposição Carlos Araújo
 

Realizando uma arte inteiramente própria, retratando sentimentos universais e com uma temática especifica desde 1992 mostrando cenas bíblicas, sua arte difere de qualquer outro artista contemporâneo. Para falar deste seu trabalho, Carlos Araújo escreveu o seguinte depoimento:

Ilustrar as passagens Bíblicas tentando captar a total profundidade de seu contexto seria uma empreitada pretensiosa e vã diante de nossas limitadas condições humanas. Seu conteúdo é imensurável, e cada frase meditada revela-nos novos contornos de infinitas estaturas impelindo-nos acima na dinâmica perpétua dessa espiral ascendente. No que me foi concedido pela Graça Divina como trabalho ou missão, o enfoque espiritual apareceu em minhas primeiras pinturas subliminarmente para no decorrer dos quarenta anos explicitarem-se; confrontei-me com a dádiva de lutar a boa batalha o início de meu retorno, minha vocação leiga rumou então ao que me era proposto por Sua Misericórdia.


Os versículos das Escrituras foram se apresentando aleatoriamente à medida que me aproximava lentamente, e cada vez mais, da Palavra, começando assim a pressentir, dentro destes nossos pequenos limites, a suavidade e plenitude do Verbo. Os trabalhos pictóricos em “Bíblia Citações” tentam através da imagem, ajudar a meu próximo, como a mim o fizeram, na compreensão da Mensagem. Infinitas obras poderiam se inspirar na temática do Livro do Gênesis, Profetas, O Sacrifício de Abraão, Ezequiel no Vale dos Ossos Secos, e tantos outros extraordinários eventos, para então se completar na perfeição do Novo Anúncio.


Em painéis de grandes dimensões como ‘A Expulsão do Paraíso’, ‘Daniel na Cova dos Leões’, ‘O Batismo de Jesus’, ‘Anunciação’, as cenas obedecem a um padrão de interpretação formal, nas medidas menores, como ‘Adão sobre a Árvore do Conhecimento’, ‘Tentações no Monte’, ‘Jesus Caminhando no Deserto’, procuro transportar o observador a um plano imaginário, onde a narrativa permeia parâmetros mais próximos à alma, como se tivéssemos adquirido outros sentidos, e no desenrolar das cenas pudéssemos vislumbrar a Luz de uma outra forma para, em seguida, retornarmos vertiginosamente ao nosso ‘estado material’; os eventos seriam vistos através de uma translúcida lâmina que intermedeia o ‘Espírito e a Carne’.


Agora vemos em espelho e de modo confuso, mas então, será face a face. ‘Agora, meu conhecimento é limitado; então, conhecerei como sou conhecido’. I. Coríntios. 13,12.


Estas contraposições fortalecem a narrativa e a compreensão de uma mesma passagem e nos convidam a refletir sobre um Mundo Divino que não vemos, porém inexoravelmente, como ecos, reverberarão todos os nossos atos na Terra.


‘O que é a verdade?’


Quando o governador daquela desértica e esquecida região da Palestina propôs este enigma ao filho do carpinteiro da cidade de Nazaré, foi como se o tivesse lançado ao vento, não lhe parecia possível que aquele simples homem contivesse a resposta do mais profundo mistério do Espírito, qualquer que fosse a réplica, seria considerada bizarra diante das circunstâncias em que se encontrava o réu, prestes a receber a horrível sentença de morte na cruz, apoiada por seus irmãos de fé e sancionada por Roma do ano 30 D.C.
O representante de César interpretava assim os últimos atos das profecias cujo texto grandioso, repleto de acontecimentos extraordinários parecia estar prestes a serem enterrados para sempre nas areias do deserto, como tantos outros similares daquela época conturbada. Sem o saber, Pôncio Pilatos, Prefectus Judeae, protagonizava as Escrituras Sagradas, e tinha diante de si, sua tão ambicionada resposta.


‘Ecce Homo’, que em sua aparência humana nada justificava a sua dimensão espiritual; inexplicavelmente divino “Jesus o Cristo” modificaria para sempre os rumos de nossa conduta espiritual trazendo uma Nova Luz, em um relâmpago eterno que iluminaria para sempre aquele cenário profundo e obscuro da humanidade. Defendido e combatido por milhões a interpretação humana de seus ensinamentos desencadearia todos os tipos de sintomas em um homem ávido por Deus; guerras, martírios, atos heróicos, milagres, experiências de fé, que extrapolariam os limites éticos do homem desafiando-o a ser espiritualmente estético; aquela sensação de entorpecimento, estupefação, e menosprezo demonstrado por Pilatos diante do Filho do Homem, são os mesmos que reconhecemos hoje no humano moderno. Passados dois milênios, continuamos nos debatendo com letargia no mesmo mar agitado de ilusões em que se encontrava o procurador de Roma.


Como poderiam ter sobrevivido intactas a devastadores oito mil anos de conhecimento, a aparentemente frágil transmissão oral, a escrita rudimentar em peles de animais e lâminas de cobre, mantendo-se cada vez mais contundentes e admiravelmente contemporâneas em seu conteúdo espiritual?


As Escrituras Sagradas sobrepujaram ao tempo, pois elas são o próprio tempo revelando a Verdade. Originam-se no Criador, por Ele são protegidas e a Ele nos devolvem. São o registro de Sua maior prova de amor por nós, indicando a passagem de retorno do filho pródigo. Este precioso mapa que nos mostra a porta estreita dentre tantas outras arcadas escancaradas nesse deserto sem trilhas. Estas mensagens do universo primal nos convidam a despertar e participar voluntariamente da dimensão cósmica de “Um só Espírito.”


‘Hoje, tomo como testemunhas contra vós o céu e a terra: foi a vida e a morte que pus diante de ti, a bênção e a maldição. Escolherás a vida para que vivas...’. Deuteronômio 30,19.


Os Ensinamentos revelados ao Homem repetem-se consecutivamente no texto bíblico; e da mesma forma que a Palavra se cumpriu nos séculos, também o fará em nós. De repente, descobrimo-nos atônitos na turbulência do mundo, saídos do ventre materno, e em outro ‘átimo de tempo’ estaremos diante do Criador separados em espírito e verdade, entre cordeiros e cabritos, pelo Filho do Homem à direita do Pai. Guardamos no âmago de nossa alma saudosa as sublimes sensações divinas, remotas lembranças do Paraíso, porém ensaiamos mal as tentativas de resgatá-lo, negligenciando um destino glorioso, para seguir as pretensões de nosso ego.


A árvore do conhecimento remeteu Adão e Eva ao escuro mundo dos efeitos e lá nos aprisionou. A Misericórdia Divina nos propõe nosso resgate ao Mundo das Causas.


Da mesma forma que o Criador revelou-se a Moisés no meio do fogo da sarça ardente, na maravilhosa abrangência da frase ‘Eu sou’, somos pulverizados ao confrontar-nos novamente com essas duas estupendas palavras a que tudo permeia nos oferecendo Sua maior dádiva seu maior milagre, nossa restauração. A alma distante vislumbra a possibilidade de retorno à ‘luz inicial’ dissolvendo o atraente, porém ilusório invólucro do mundo material, revelando seu verdadeiro e desfigurado aspecto espiritual.


Penetrando na esmagadora vibração do Verbo, do ‘Eu Sou’, percebemos o paradoxal espaço físico e a responsabilidade que simultaneamente ocupamos; diminutos vasos de barro, porém imensos templos portadores da ‘Centelha Divina’ emprestada aos nossos corações.


‘De fato de que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a vida? Que poderá alguém dar em troca de sua vida?”


“Porque o Filho do Homem virá na Glória de seu Pai com seus anjos e retribuirá, a cada um, de acordo com sua conduta’. Mateus (16,24-28)
A Bíblia contém inúmeros livros e infinitos ensinamentos, mas seu cerne nos direciona a duas grandes observâncias: ‘Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos’. Na simplicidade desta resposta está o caminho dado por Deus, e aí também se encontra nossa maior dificuldade, pois optando em exercê-la, devemos esquecer nossas ilusões de ‘ser’ fora do ‘Eu Sou’. Este Caminho Divino parece não bastar à compreensão do homem para efetivar a sua redenção; porém nada existe fora do Verbo e Sua ausência é aterradora.


A existência dos relatos bíblicos são nossos maiores testemunhos, é a dádiva que faz com que entremos em contato com o nosso grande arquivo espiritual tornando-nos mais atentos aos nossos corações e às expectativas do nosso Criador, a ajuda para superar o medo que nos paralisa, e seguir o projeto para o qual fomos concebidos desde o Gênesis, retornando assim a ser verdadeiramente ‘Um em Deus’, à medida que deixamos de ser ‘nada em nós mesmos’. A convocação do Verbo propõe o amor que nos devolve definitivamente a eterna luz do Criador.

Biografia

Carlos Araújo

Carlos Araújo nasceu em São Paulo, em 6 de abril de 1950. Em 1963, como autodidata, inicia o painel ‘Alegoria ao carnaval’. Entre 1971 e 1975 cursa Engenharia na Universidade Mackenzie, em São Paulo. Em 1973, é convidado a participar da exposição ‘Imagens do Brasil’, em Bruxelas. No ano seguinte, faz a primeira exposição individual, no Museu de Arte de São Paulo – Masp.


Além da pintura, Araújo trabalha com outras técnicas, como desenho e litografia. No decorrer de sua carreira, realiza diversas exposições individuais e coletivas, no Brasil e exterior, estando entre elas, em 1978, a I Bienal Ibero-Americana na Cidade do México; Em 1980, o painel ‘Anunciação’, é enviado pelo governo brasileiro ao Papa João Paulo II, estando no Museu do Vaticano.


Iniciou sua dedicação aos quadros religiosos só em 1992, sendo o trabalho anterior, iniciado em 1981, com a realização do painel “Os trabalhadores”, marcado por temas sociais.


Sua obra encontra-se em inúmeras coleções particulares no Brasil e no exterior, e pode ser encontrada em museus como o da Fundação Miterrand, em Paris/França, o Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Álvares Penteado/FAAP, o MASP - Museu de Arte de São Paulo, o Itaú Cultural, todos em São Paulo/SP, Museu Oscar Niemeyer, Curitiba/PR, Fundação Edson Queiroz, Fortaleza/CE.

Em 1989, lançou em Paris o livro de litogravura “Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse”, e em 1984 foi premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte.


     

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