José Maria
 Gilberto Freire

"Admirável, José Maria, quando surpreende, com alguma coisa de detetive no seu modo de ser pintor, algumas dessas sutilezas obscuras de cor e de aparência. Até em seus flagrantes de vendas, de feiras, de grupos de pescadores jogando sob alpendres de praias - arremedos dos Montecarlos - ele surpreende tristezas por trás de pequenas alegrias ostensivas. Seus pitorescos são mais psicológicos que puros pitorescos. Até suas jangadas são mais psicológicas que etnográficas. Marcas, todas essas, de um pintor incomum".

Nasceu em 1935, Valença, Bahia. Em Salvador, estuda gravura com Mário Cravo Júnior e desenho com Juarez Paraíso. Participou da VI e da VII Bienal de São Paulo (1961 e 1963), e expôs regularmente sua pintura no Brasil e no exterior. Para José Roberto Teixeira Leite, José Maria "possui afinidades evidentes com outros artistas brasileiros, entre os quais Guignard, Pancetti e Djanira, para não falar em Goeldi - artista de sua obsessão. O paralelo com os três primeiros pintores não é gratuito - diz ainda o crítico - como eles é José Maria um lírico, um dos raros casos de temperamento romântico observáveis na arte moderna do Brasil; quanto à aproximação com Goeldi, justifica-se, porque existe na arte de José Maria elementos


inconfundivelmente expressionistas, grande dose de drama escondendo-se sob a aparência tão doce de seus clowns e casais de namorados." Faleceu em Salvador, Bahia, no dia 16 de setembro de 1985.

 

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