Daniel Senise
 Agnaldo Farias

(...) O artista é aquele que opera na linguagem. Para tanto, pensando seu trabalho como fonte de proliferação de sentidos, Senise faz de suas telas a encruzilhada de signos e temporalidades. A superfície branca de tecido perde sua condição de território ideal, um quadrilátero de pureza e silêncio, para ser paulatinamente povoada por uma atmosfera nublada, com manchas e fragmentos da matéria, campo fértil para a floração de imagens isoladas, nítidas ou difusas; imagens xifópagas, que nascem da combinação com objetos encontrados - de uma vasilha de metal a uma maçaneta de porta ? ou que simplesmente convivem com eles. Imagens extraídas de uma tela antiga e cultuada, ou não, retiradas de um outro lugar qualquer, uma fonte ordinária, daquelas que, em princípio, vemos com indiferença. Imagens de significado unívoco ou que se ampliam em face do trabalho da imaginação daquele que as contempla. Como não há pureza possível, essas telas ao mesmo tempo em que são pintadas, procedimento que o artista pratica com freqüencia cada fez menor, podem ser igualmente decalcadas, raspadas, esfregadas, coladas de cara para o chão, deixando que nelas se grudem os detritos espalhados por ele.

 

Nasceu em 1955, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. Forma-se em Engenharia em 1980. Entre 1981 e 1982, estuda com John Nicholson e Luiz Áquila na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no Rio de Janeiro, onde mais tarde vem a lecionar pintura. Faz viagem à Europa em 1984 e, no ano seguinte, aos Estados Unidos e Japão. Em 1984, integra a mostra Como Vai Você, Geração 80, na Escola de Artes Visuais do Parque Lage.

Participa do Salão Nacional de Artes Plásticas (Prêmio de Viagem ao País, 1984), da Bienal de São Paulo (1985 e 1989), da Bienal de Havana (1986), da Bienal Latino Americana de Arte Sobre Papel, Buenos Aires, Argentina (Medalha de Ouro em 1986) e das mostras do Panorama de Arte Atual Brasileira (1986, 1989 e 1995). Realiza a primeira individual de pintura em 1984, no Centro Empresarial Rio. Posteriormente, realiza várias individuais no Rio de Janeiro e em São Paulo, expondo ainda em Brasília, em Porto Alegre e no Recife, com destaque para a retrospectiva realiza em 1994 no Paço Imperial, Rio de Janeiro. No exterior, expôs na França e nos Estados Unidos. De 1997 a 1998, coordena a programação de exposições das galerias do Centro Cultural Light, no Rio de Janeiro. Como exposições recentes temos: The Piano Factory, Instituto Tomie Ohtake, São Paulo (2002); Galeria Silvia Cintra, Rio de Janeiro (2003); Quase infinito, Museu de Arte Contemporânea, Niterói (2003). Reside atualmente em New York (EUA).

 

 

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