Cristina Sá
 Angélica de Moraes

Amaral ocupa um lugar de destaque na históri

O mercador e diplomata veneziano Marco Pólo desbravou a Rota da Seda no século XIII. Percorreu um sinuoso caminho marítimo e terrestre que passou a ligar o comércio das cidades-estado de Veneza às vastidões até então inexploradas da China, singrando o Mar Mediterrâneo e ultrapassando a barreira de montanhas do Himalaia. Foi quando o Ocidente, espantado, afinal tomou contato com uma cultura de vastidões tão grandes quanto à distância geográfica que nos separa do Oriente. Um fascínio que, muitos séculos depois, ainda e sempre emociona, como demonstram as pinturas-colagens-monotipias de Cristina Sá.

A artista harmoniza dois mundos. Funde, em gramática visual própria, elementos culturais extraídos tanto da tradição oriental da gravura em madeira (xilogravura) quanto da expressão pictórica ocidental contemporânea. Suas delicadas urdiduras compositivas ecoam o mundo plano da gravura chinesa, isenta dos códigos de representação da perspectiva. Ecoam motivos gráficos, sinetes heráldicos, e finas caligrafias de ideogramas vindos da antiga Catai. A organização compositiva, ortogonal e modular se faz sobre amplos espaços brancos e cuidadosa distribuição de elementos, frisando uma educação visual feita sob a influência inalienável da história da arte ocidental.

Cristina Sá é pintora e desenhista, aluna de desenho durante a adolescência com o artista plástico Maciej Babinski, concluinte em 1979 do curso de Arquitetura de Interiores e História da Arte pela Escola Panamericana de Artes. Passa a estudar, em 1984, desenho e pintura com o professor Pedro Algaza. De 1989 a 1991 monta seu atelier de pintura em seda, primeiro passo na profissionalização. Depois, frequenta o atelier do artista Jorge Franco durante oito anos, e concluiu o curso de técnica de aguadas, carvão e pastel com o artista plástico Philip Hallawell. Atualmente, possui atelier no bairro Real Parque em São Paulo.

Cristina Sá iniciou em 1996, participando de coletivas em São Paulo, cidade onde concentra a maioria de suas mostras, e em Paris. Em 1998 realiza suas primeiras mostras individuais em Salvador/Bahia, Búzios/Rio de Janeiro, e São Paulo, cidade que volta a expor em 2002, 2004, 2006. Entre as suas premiações temos em 2003, Salão da Sociétè Académique “Arts-Sciences Lettres”, Paris - França; Salon Internacional de Monde de La Culture et des Arts, Cannes – França; 2004, Salon de la Sociétè Nationale de Beaux Arts - Carrousel du Louvre - Paris – França; Salon Brasilis à Paris - Galerie François Marsad, Paris – França.

O que primeiro chama atenção é uma harmonia vindo das formas que nos parecem figuras vegetais, por uma verticalidade espacial. Seduzidos pelo que estamos a ver, a integração de dois mundos, o oriental e o ocidental, o equilíbrio da composição de planos, a gestualidade e o ritmo, o uso de cores fortes, com o contraste de tons terra, ou o dourado, inquietante, diretamente nos relacionamos com as obras, pelas mais diferentes sensações, que todos concordam em chamar paisagens.

 

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