Carybé                                       
 José Claudio da Silva

Um elemento principal na pintura de Carybé é o movimento, o ritmo, a surpresa, que ele quer que conviva com uma exigência do seu espírito: a do nada deixado por fazer, a do nada ambíguo, pouco reconhecível, da definição do pormenor, como a unir a serenidade da obra clássica à multiplicidade de sugestões e o descompromisso do esboço. A entrada em cena de relevos e incrustações - trazendo à tona outra face, a do experimentalista - estimula a tensão crescente, que começa a ser notada à medida que sua pintura vai se destacando dos bicos-de-pena, guaches e aquarelas e se dirigindo para os maiores formatos dos murais e para a escultura propriamente dita.

Foi pintor, gravador, desenhista, ilustrador, ceramista, escultor, muralista. Fez mais de cinco mil trabalhos entre pinturas, desenhos, esculturas. Ilustrou livros de Jorge Amado e de Gabriel García Márquez. Cidadão baiano, mas nascido em Lanús, Argentina, em 7 de fevereiro de 1911. Faleceu em Salvador, Bahia, em 2 de outubro de 1997. Um artista do mundo, um artista que recria a Bahia na sua paisagem e no seu povo.

Sua obra está em murais em vários países, como os aeroportos de Nova Iorque, Rio de Janeiro e Salvador; pertencem a coleções de Museus, como os de Arte Moderna de Nova Iorque, São Paulo e Bahia, Arte Contemporânea de Lisboa e Fundação Calouste Gulbenkian, em Portugal, Memorial da América Latina, São Paulo; ganhou prêmios como o de desenho na III Bienal de São Paulo, 1955, participação na XXVII Bienal de Veneza, 1956, Sala Especial na XI Bienal de São Paulo; ilustrou livros, realizou inúmeras mostras coletivas e individuais.

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