Ascanio
 Paulo Sérgio Duarte

A razão estrita de Ascânio, sua confiança cega nos preceitos construtivos chegam a causar um certo mal-estar no ambiente contempo-râneo dominado pelo balaio pós-moderno, o vale-tudo e o relativismo generalizado. É como se a obra se constituísse numa espécie de dique de princípios desprezados pelo irraci-onalismo dominante. Reservatório de clareza, sua historicidade não pertence a seu tempo, com o qual seguramente não está de acordo, mas aos vínculos produtivos que estabelece com o passado, reiterando no presente uma estética que muitos querem superada. Contida, a obra não permite em nenhum momento uma experiência em que as regras não estejam explícitas e diante do uso abusado das desconstruções, das paródias, e desprezo por qualquer norma, esta firmeza lembra uma arqueologia das luzes.

  

Nasceu em 1941, na cidade de Fão, Portugal.Transferiu-se para o Brasil em 1959, passando a residir no Rio de Janeiro. Em 1963, inicia seus estudos na Escola Nacional de Belas Artes. Dois anos depois, matricula-se na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da antiga Universidade do Brasil. Inaugura sua primeira individual na Galeria Celina, em 1969. Entre suas exposições mais recentes, merecem destaque: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (1994); Museu de Arte de São Paulo (1996); Galeria do Poste, Niterói (2001); Casa de Arte e Cultura Julieta de Serpa, Rio de Janeiro, e Dan Galeria, São Paulo (2005). Detentor de diversos prêmios, tem expressiva participação em salões e bienais, tais como o Salão Nacional de Arte Moderna (1966, Prêmio Isenção de Júri, 1968; Prêmio de Aquisição, 1970), Salão Nacional de Artes Plásticas (Prêmio de Viagem ao Exterior, 1978), Bienal de São Paulo (1967 e 1979) e a Bienal de Paris (1969). Para Roberto Pontual, trata-se de um artista que "trabalha com movimentos contínuos, exteriorizados, envolventes", sendo um cultor do relevo em madeira, suas esculturas ocupam lugares públicos de diversas capitais no Brasil e em Portugal. Em 1976 abandona a arquitetura para se dedicar exclusivamente às artes plásticas. Também desenvolveu intenso trabalho como galerista, muitas vezes em parceria com Ronaldo do Rego Macedo, com o qual idealizou exposições importantes de artistas brasileiros, a exemplo de Joaquim Tenreiro: Madeira/arte e design, para o Centro Empresarial Rio, em 1985. Vive no Rio de Janeiro.

 

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